Série- Os Salmos Que Não Lemos-Parte III Sl 58


Hoje é o salmo 58. Um salmo de reivindicação à justiça divina. Na realidade esse salmo trata-se de um clamor contra os juízes inescrupulosos, os ricos e poderosos da época de Davi. Nele existe um tom imprecatório contra a perversidade e o banimento da justiça aos mais fracos.

Se existem salmos de adoração, petição, cânticos à Jerusalém e de outras naturezas, esse na verdade é um protesto sóbrio pela causa mais nobre-A justiça que se desdobrava e alterava-se em muitas perspectivas do homem (juiz) mal.
“Falais verdadeiramente justiça, ó juízes? Julgais com retidão os filhos dos homens?”(vs. 1) .Os juízes detinham cargos tão notórios, ao ponto de serem considerados “deuses” . De fato exigiam-se deles toda a representividade de Deus na terra. A justiça que sairia da boca dos nobres era como se o próprio Deus demandasse a verdadeira sentença. Porém o salmista questiona se de fato a retidão era a base dos seus juízos. Se a verdade era sentença máxima de suas decisões. Apesar de serem deuses, o salmista não descuida de arrazoar as suas prerrogativas sentenciadas pela arbitrariedade e partidarismo deles.
Longe disso; antes, no íntimo engendrais iniqüidades e distribuís na terra a violência de vossas mãos”(vs.2)- Não! Na realidade havia um distanciamento da justiça em suas decisões e o pior de tudo, é que neles habitavam uma produção em larga escala de iniquidades e uma promulgação da desordem social patrocinada pelos os donos do poder. Do íntimo brotava o delito, do delito pessoal a externalização do mal em toda a sociedade. Era um “joguinho” divertido para esses poderosos que massacravam a verdade e a justiça. (Faça agora o seu exercício sócio-contextual)
Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras. Têm peçonha semelhante à peçonha da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos, para não ouvir a voz dos encantadores, do mais fascinante em encantamentos. (vs. 3-5)

O engendramento da iniquidade desses soberbos residiam no fato de a concepção dos seus males mais íntimos originam-se de acordo com a sua natureza caída sedimentada pela QUEDA. O mal para eles, não era uma coisa de caráter espóradico e sim do pendor, da índole, da propensão do pecado arraigado em seus corações. Toda essa inclinação do mal era tão gigantescamente sólida, que nenhum conselho sábio poderiam desencaminhá-los para a projeção do bem. São como “serpente surda”, que pelo zelo da sua malignidade se ensurdece ante o clamor da verdade.
Ó Deus, quebra-lhes os dentes na boca; arranca, SENHOR, os queixais aos leõezinhos…” Desse verso em diante, começa portanto a oração do salmista para depurar a terra dessa perversidade. O autor desse salmo usa a linguagem comumente usada pelos povos do antigo Oriente Médio para fidelização da Verdade no tom imprecatório. Nesse ato de imprecar, que é de fato a expressão do desejo do infortúnio e da calamidade a alguém, é o que causa mais incompreensão no meio cristão. João Calvino descreve que a imprecação- “Foi um zelo santo pela glória divina que o impeliu a intimar o perverso ao assento do julgamento de Deus”, nesse caso os salmos imprecatórios é o apelo veemente dos homens santos de Deus para o estabelecimento da Sua justiça e do Seu Reino. Não há nada de “perverso” na orações desses homens.
Elas devem ser entendidas como orações a Deus, e não como justicismo dos atos dos salmista. Jonhannes Vos prescreve as orações imprecatórias da seguinte forma:
A total destruição do mal, incluindo a destruição judicial dos homens maus, é a prerrogativa do soberano Deus, e é certo não somente orar pelo cumprimento dessa destruição, mas também assistir sua realização quando comandado a fazê-lo pelo próprio Deus […] Deus é tanto soberano quanto justo; ele tem o direito inquestionável de destruir todo mal em seu universo; se é certo para Deus planejar e executar essa destruição, então também é certo para os santos orar pelo mesmo.” (Fonte: Site Monergismo-Um excelente site de pesquisa).

Essa é a visão mais bíblica que julguei ser para os salmos imprecatórios. Mas você pode perguntar: E o Novo Testamento há alguma alusão a isso? Sim! O próprio Príncipe da Paz fez deveras increpações ante a incredulidade de algumas cidades, e exprimiu alguns “Ais” à cidade de Jerusalém e aos chefes da religião judaica da época (Mateus 23). Vemos também o apóstolo Paulo “amaldiçoando” a todos aqueles que pregasse um “outro evangelho” que banalizaria o sacrifício de Cristo (Gál. 1.8-9; 5.12).
Para encerrar o salmista declara:
Alegrar-se-á o justo quando vir a vingança; banhará os pés no sangue do ímpio.
Então, se dirá: Na verdade, há recompensa para o justo; há um Deus, com efeito, que julga na terra” (vs. 10,11).

Esse é todo o objetivo da proclamação do santo que se enoja aos injustos atos dos poderosos. Há toda uma verdade no estabelecimento da justiça do Reino na terra. Até aprendemos com Jesus na oração-modelo- “Venha a nós o vosso Reino seja feita a Tua Vontade”. O Reino e a Vontade Soberana de Deus é o desarraigar do mal na terra. Lembro agora do que falara o apóstolo João em sua carta “…para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo.” (I Jo 3.8)

Há recompensa em se praticar a justiça…O que mais vemos hoje é relaxamento de homens justos que perderam a sua força perante a iniquidade vigente. Porém saiba, a Palavra diz “Há recompensa para o justo” , o Todo-Poderoso estabelece a Sua justiça hoje e julgará com retidão os povos.

Com amor,

Mário Celso


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