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Um "Piercing" No Coração.A Mensagem De Pedro

Por Mário Celso

O ambiente do Pentecostes tomava conta do lugar e das pessoas. A descida veemente do Espírito sobre os discípulos de Cristo foi a marca do genuíno mover de Deus naquelas vidas. A distribuição e a concessão do Espírito era a característica daquele evento glorioso.

Logo o “fogo” do Evangelho se espalhava nos corações abraseados. A multidão ali reunida de várias nações, ouve em sua própria língua “as grandezas de Deus”. Perplexidades e questionamentos tomavam conta dos ouvintes.
Algo diferente naquele lugar. Pentecostes naquele dia não ficou somente atribuída a uma festa de ritos e reuniões de judeus e prosélitos do judaísmo. Pentecostes é “falar das Grandezas de Deus” na língua do Espírito Santo, de forma inteligível, onde todos possam entender o plano de Deus para a humanidade e também a mensagem triunfante da Ressureição de Jesus Cristo.
E disso Pedro toma como a sua mensagem principal naquele dia. A promessa de Joel se concretizara. Jesus, o homem aprovado por Deus com sinais e prodígios e entregue aos homens para ser morto, pelo determinado desígnio e presciência de Deus, ressuscita e rompe os grilhões da morte…Portanto não podia morte retê-lo!
Pedro finaliza a mensagem afirmando que tal acontecimento só foi possível, devido o sofrimento do Messias rejeitado, crucificado, porém aprovado por Deus ressuscitando-o dentre os mortos.
E Pedro veemente diz “Esteja absolutamente certa, pois TODA a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez SENHOR e CRISTO”. A tônica cristocêntrica de um coração fortalecido pelo Espírito não podia faltar no coração de Pedro.
Que tipo de mensagem ouvimos hoje? Uma mensagem cristocêntrica ou excêntrica? Uma mensagem sentimental recheada dos exageros ” pentecostais” ou uma Mensagem sobre o Poder do Evangelho de Cristo?
O verdadeiro mover do Pentecostes se faz necessário pela objetividade da mensagem do Cristo Ressureto e não pela subjetividade de elementos estranhos à Palavra, donde aparece apenas a caricatura do Espírito e não a sua real presença.
A mensagem de Pedro traz compunção, pungimento e contrição nos corações de todos. A Palavra nos diz que “ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?” (At 2.37). A palavra “compungir” no original( κατανυσσω, que só aparece uma vez aqui em todo o Novo Testamento) nos traz a idéia de picada ou furo de forma a atormentar a mente agitando-a violentamente. É o furo no coração de quem ouve a mensagem de Deus, trazendo-lhes contrição, aflição e portanto arrependimento sincero nos corações.
A mensagem por acaso que ouvimos hoje, causa tal impacto nos corações modernos? Está perfurando, como num piercing, de fato as idéias e convicções do homem, ou apenas consentido-o e acalentando o seu erro?
A resposta de Pedro para os tais e para todos é “ Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.” (At. 2. 38-40)
Esse é o piercing que Pedro usava em suas mensagens.
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Profeta Hananias, O Embaixa-DOR da Paz

Mas o profeta que profetiza prosperidade será reconhecido como verdadeiro
enviado do SENHOR se aquilo que profetizou se realizar”. Jeremias 28.9
Hananias, o profeta de Gibeom se porta como um atalaia dos oráculos divinos para a nação de Israel. Fazia parte do partido Nacionalista, um daqueles que foram uma provação para Jeremias. Era o começo do reinado de Zedequias e estavam no Templo, os sacerdotes e todo o povo. Jeremias portava de canzis simbólicos de madeira postos no seu pescoço, ditados pelo próprio Deus. Era a expressão de que todo o povo, bem como todas as terras e bens seriam entregues ao poder de Nabucodonosor.
Hananias não tolerava tal atitude profética de Jeremias, cuja mensagem era de fato um “peso” para ser concebido como verdade, posto que a tal profecia de Jeremias seria o contraste da shalom hebraica, cujo conceito é de paz, bem-estar e prosperidade.
A mensagem de Jeremias era tão contraditória às expectativas judaicas que Hananias se pôem como o porta-voz da paz e prosperidade, numa mensagem agradabilíssima aos ouvidos de todos de Judá. Como todo profeta ludibriador, ele insere a sua voz como voz divina…”Assim fala o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Quebrarei o jugo do rei da Babilônia”, começando então as previsões de que dentro de 2 anos estaria de volta àquele lugar:
a) Todos os utensílios do Templo;
b) Jeconias e a todos os exilados de Judá.
No ponto de vista patriótico dos judeus, essa seria uma excelente profecia. Nas palavras de Jeremias, que a maioria a interpreta como sarcástica, ele diz “Amém! assim faça o SENHOR; confirme o SENHOR as tuas palavras, com que profetizaste, e torne ele a trazer de Babilônia a este lugar os utensílios da casa do SENHOR e todos os exilados.” Porém, eu não a considero assim, posto que o amor de Jeremias por Jerusalém era evidente. Em outras palavras Jeremias estaria dizendo “Oxalá a situação fosse assim. Este é o desejo de todos nós.”
Porém a verdadeira profecia não deveria ser levada pelo sensacionalismo dos fatos externos e tão patentes. Existe o “entretanto” da coisa. A convicção de Jeremias não poderia ser mudada pelo tom emocional ainda que “profético” de Hananias.
Jeremias então declara: “Entretanto, ouça o que tenho a dizer a você e a todo o povo:
Os profetas que precederam a você e a mim, desde os tempos antigos, profetizaram guerra, desgraça e peste contra muitas nações e grandes reinos. Mas o profeta que profetiza prosperidade será reconhecido como verdadeiro enviado do SENHOR se aquilo que profetizou se realizar”.

Fica estabelecido então por Jeremias, o método de verificação e veracidade da mensagem profética. Se o que se fala se cumpre, declarado seria como verdadeiro. A palavra de Deus é o crivo para toda profecia. Se o comportamento do povo era de fato reprovável por Deus, logicamente aquela mensagem de paz, prosperidade nacional seria de fato uma anedota circunstancial. O povo como tinha conhecimento pelas escrituras de que se a nação não andasse em conformidade com os princípios divinos, obviamente ela teria que passar pelo jugo de ferro dos seus opressores (Dt 28.48).
Hananias utiliza então de mais uma fajuta representação de libertação. Toma os canzis de madeira do pescoço de Jeremias e os quebra na presença de todo o povo. E com voz enganadora esbraveja contra a veracidade da Palavra. “Assim diz o SENHOR: ‘É deste modo que quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilônia, e o tirarei do pescoço de todas as nações no prazo de dois anos’ ”

A ambiência era propícia para tal coisa, tudo se encaixava até mesmo uma representação de símbolos dignos de um profeta…Porém, a tônica é, O SENHOR NÃO O ENVIOU. Não adianta, pode-se ter todo um aparato, riquezas de detalhes, eloquências do falar, carismas de multidões, aplausos de seus fãs…Mas se o SENHOR não o tiver enviado a mensagem ainda que retórica e plausível será VÃ.
Se por contar símbolos, Deus então reitera a sua mensagem e diz através de Jeremias “Você quebrou um jugo de madeira, mas em seu lugar você fará um jugo de ferro. Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Porei um jugo sobre o pescoço de todas essas nações, para fazê-las sujeitas a Nabucodonosor, rei da Babilônia, e elas se sujeitarão a ele. Até mesmo os animais selvagens estarão sujeitos a ele”.

Para finalizar, Hananias morre no mesmo ano… “Por isso, assim diz SENHOR:Vou tirá-lo da face da terra. Este ano você morrerá, porque pregou rebelião contra o SENHOR’ ”. Uma coisa nos chama a atenção, é que o verbo ‘tirar’ traduzida pela versão brasileira da NVI e ‘lançar’ da Revista e Atualizada, é a expressão hebraica “shalach”, a mesma de “enviar”. Deus não o shalach(enviou) para a tal mensagem, porém o shalach (enviou) para sobre a face da terra.
Em Cristo,
Mário Celso

"Eis" O Pequeno Desapercebido


Muita das vezes ignoramos essa pequena palavra, (EIS) que aparece em algumas (não todas) versões bíblicas.Algumas versões omitem esse termo, porém por pequeno que seja a expressão “eis” traz consigo uma força e objetivo. E todas as vezes que fazia a leitura bíblica, me chamava atenção o “eis”. Lendo então uma Bíblia inglesa da versão Rei Tiago, a famosa King James Version, tive a curiosidade de ver essa expressão no inglês. “Behold”, essa é a expressão encontrada lá. Significando “ver, observar e perceber”.

Lendo depois no original grego observei a pequena palavra. A palavra “idou” é a equivalente “eis” na língua portuguesa. Ela aparece 202 vezes no Novo Testamento, sendo a segunda pessoa do singular, imperativo, voz média de “eido” significando “Veja, perceba com os olhos, note, discirna, descubra, preste atenção, observe, experimente algo, conheça, considere alguém, estime, inspecione e examine”.
Imagine só, tudo isso, com grandes significações em apenas uma expressão, claro, dependendo do texto onde ela esteja inserido. Cito agora alguns versículos onde é encontrado em algumas versões.

Os fariseus, porém, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado. MT 12.2

Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; MT 24.23

Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. MT 24.26

(porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação); 2 COR 6.2

E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; {criatura; ou criação} as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. 2 COR 5.17

Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos gentios. MT12.18


Mário Celso



Conselhos De Um Pescador

O iletrado (agrammatos) Pedro chama-nos a um bate-papo edificante e envolvente. Dá-nos algumas dicas preciosas a todos os “peregrinos e forasteiros” dessa jornada rumo aos céus. Eis alguns do seus conselhos:

Despoja-se de tudo aquilo cuja maldade, engano, hipocrisia esteja empacotado no mais profundo do âmago da alma, corroendo todos os relacionamentos entre os seus. Impedindo de vislumbrar o bem-estar do próximo.
Deixe arder em sã-desejo, o apetite pelo leite original, sem mistura, sem fermentações, sem acréscimos, pois através desse alimento saudável terá condições para um crescimento de forma a compreender a Salvação…Deseje isso como crianças recém-nascidas que sossega-se no afago e carinho do amor( que não morre) do Pai.
Vá até Ele, afirma-te na Rocha cuja vida e amor fora incompreendida, e a rejeição o seu prêmio. Rejeitado foi pelos os homens mas para Deus a “Rocha preciosa”.
Conscientize-se de que vocês são como pedras que vivem e santos sacerdotes, digo sacerdotes e não levitas, posto que através do sacerdócio poderão sempre oferecer a Deus sacrifícios espirituais agradáveis, tudo por intermédio de Cristo, sem necessidade de ‘sacerdotes’ imediatos, nem de titulares celestes para se chegar ao Pai.
Coloque toda confiança e submissão a esta Pedra Angular, lapide-se em suas arestas de amor, ainda que os homens te ridicularize e queira te confundir, saiba que quem nEle crê jamais será envergonhado ou confundido.
Estes que ‘confundem’ a vida cristã e faz dela uma vergonha, são de fatos desobedientes e trôpegos na fé, cuja a Palavra oriunda da Rocha de ofensa os fazem tropeçar em toda a Verdade, donde os pés não se firmarão em aplainados caminhos…
Proclame as virtudes dAquele que te chamou das trevas espirituais para a Sua maravilhosa luz e saiba vocês todos da amplitude e plenitude do seu chamado…Vocês não são príncipes e nem levitas, são de fatos reis e sacerdotes. Não se deixe apelidar de ‘gospel’ ou de nação ‘ungida’, vocês são raça eleita, nação santa. Saiba que as suas vidas não são propriedades de nenhum coronel ou cacique religioso, vocês são propriedade exclusiva do Pai.
Não se deixe dominar por ímpetos paixões do seu bel-prazer, abstenha-se daquilo que estraga a sua alma e os seus sentidos, de sorte que nessa guerra sempre a alma será ferida ou até mesmo morta…Tudo isso provém de vidas cuja a estadia e fixidez se baseia no porto desse mundo, ancorando-se em areias e fazendo daqui moradas. Tenham em mente que vocês são peregrinos e forasteiros
Deixe que a luz do comprometimento com a Verdade te abalize e esclareça a manter o mesmo proceder de Cristo, fazendo-te um exemplar modus de vida de acordo com a Luz da vida. E saiba mais que, ao fazer tal procedimento vocês arrancarão das bocas muitas glórias ao Pai pelo fruto das suas boas obras e pelo o louvor dela que magnifica a Cristo.
Pratique o bem como emudecedor dos loucos…Tapa-lhes as suas bocas com a atitude submissa de sua vida conforme o ensino do Mestre.
Vivam como servos da liberdades, não como senhores da libertinagem, fazendo da sua servidão a Cristo um caminho de graça e vida trazendo libertação aos aprisionados pelo mal.
Honre as pessoas, ame aos seus irmãos e amigos, que a sua vida redunde em temor a Deus, mesmo que sofra por muitas coisas…Deixe a sua consciência livre…Não a aprisione no exercício da maldade…Que vantagem então teremos se em tal prática da injustiça fira a nossa limpidez de mente em Cristo? Se sofrer, sofra por amor a Cristo, pois dEle temos tal exemplo…Mesmo que os ‘doutores’ afirmam que você não nasceu para sofrer, saiba “porquanto para isto mesmo(sofrimentos) vocês foram chamados” para dar prosseguimento da caminhada de Cristo em seus passos aqui na terra.
Siga o exemplo do Mestre amado, ao qual na sua boca não se achou propina e nem dolo…Mesmo sendo maltratado, ultrajado, apenas se entregava ao Pai, não fazendo nenhuma ameaça marcadora sobre os seus oponentes, carregando consigo os nossos pecados no madeiro.
E por fim, desgarra-se dos pastores que não amam as suas ovelhas, mas converta-se ao Pastor e Bispo de sua alma.
Com Amor,
Mário Celso
Esse é um comentário parentético da primeira carta de Pedro no capítulo 2.

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